A Nova Escola: Repensando a Entrega Social na Era da Longevidade e da Personalização
Há décadas ouvimos que a escola precisa de uma atualização, mas o debate quase sempre se resumiu à digitalização. Essencialmente, é a ideia de fazer o mesmo que já fazemos, só que mais rápido e preciso. Contudo, enquanto nações mais avançadas começam a retroceder e até a “des-digitalizar” algumas atividades , fica claro que a escola precisa repensar sua entrega social antes de focar em processos. O sistema de ensino atual esta ultrapassado e, podemos ressaltar tres pontos principais:
Os Três Pilares da Obsolescência
O modelo escolar atual foi projetado para uma sociedade que não existe mais, assentado em três pressupostos falhos:
A Vida Adulta Mudou: A escola previa o fim da formação aos 18 anos, quando se iniciava a “vida adulta”, numa época em que a expectativa de vida era de cerca de 40 anos. Hoje, vivemos em média 80 anos. Como definir o início da vida produtiva se todas as outras marcações temporais (saída de casa, casamento, aposentadoria) foram deslocadas, mas a escolar não?.
O Conteúdo Explodiu: O modelo de 11 anos visava condensar “todo o conhecimento científico da época”. Com o
crescimento exponencial do saber em todas as áreas, é impossível (e ineficiente) que um único indivíduo se especialize em uma área, quanto mais absorva todas concomitantemente.
A Exigência é Personalização: A tecnologia habituou a sociedade a ter tudo adaptado às suas necessidades: o que vestimos, como nos divertimos, até como trabalhamos. Naturalmente, as pessoas agora exigem
escolher como, quando e o que querem aprender.
O Novo Papel da Escola: De Fornecedor a Gestor de Projetos
Diante desse cenário, a escola não pode mais ter a presunção de “preparar para a vida adulta”, pois não sabe o que o aluno quer nem tem tempo para ensinar todos os conteúdos possíveis.
A
Nova Escola precisa se reposicionar não como um fornecedor de conteúdo, mas como um coach/auditor.
Curadoria: A escola perguntaria o que o aluno quer aprender e o ajudaria a encontrar fontes confiáveis.
Metodologia: Ofereceria técnicas de estudo e mediação de conhecimento.
Certificação: Sem a pressão de notas ou prazos , a escola
mediria e certificaria o nível de proficiência que o aluno atingiu, permitindo que ele mude de foco quando desejar.
Esta não é uma ideia futurista; é o modelo que já é praticado com sucesso em cursos de informática e idiomas, onde, segundo os próprios alunos, o aprendizado é superior.
O Educador como Orientador e Gestor
No cenário atual, o conhecimento está nos livros e na internet. Portanto,
não precisamos mais de professores especialistas em conteúdo.
O novo professor se torna um
especialista em processos de aprendizagem , operando como um
orientador de doutorado ou um
gestor de projetos. Seu papel é:
Entender a demanda do aluno.
Ajudar a montar um plano de estudo, com temáticas e ferramentas.
Promover reuniões periódicas para
feedback, ajuste de rota e avaliação de progresso.
Ao final, transformar esse aprendizado em uma nota ou certificação oficial.
No final, os alunos estarão mais felizes por aprenderem o que realmente lhes interessa. E mais importante: eles não apenas aprenderão conteúdo, mas desenvolverão técnicas cruciais para
avaliar bons e maus conteúdos, protegendo-se na nova realidade permeada por fake news e teorias da conspiração.
É hora de abandonar a rota antiga e traçar um novo vetor para a educação.