Educação: O Desperdício do Ativo Mais Valioso do País

Sumário

A educação é, indiscutivelmente, o maior ativo que um país pode ter. No longo prazo, ela gera mais riqueza e desenvolvimento sustentável do que qualquer jazida de minério ou poço de petróleo. No entanto, é curioso notar que a maioria dos governos não dedica à educação o mesmo tempo, interesse e rigor gerencial que aplica na exploração de outras riquezas nacionais. Para que um país almeje o verdadeiro crescimento, é fundamental que o Estado abandone a subestimação e recupere o controle estratégico sobre os processos educacionais.

Uma vez estabelecido o foco governamental, o desafio é construir um sistema educacional mais justo, eficiente e capaz de maximizar sua geração de valor. Para isso, identificamos problemas sistêmicos que precisam ser enfrentados imediatamente. Nosso foco não está em questões regionalizadas, mas nos desafios recorrentes que afetam o ensino em todos os lugares:

  • A gestão da carreira do professor: com sua inerente disparidade de remuneração e reconhecimento.
  • O conflito de interesses: crescente entre a escola e os pais.
  • A falta de suporte: que se manifesta na indisponibilidade de técnicas, tecnologias ou profissionais de outras áreas (como psicopedagogos e psicólogos) para dar suporte aos educadores.

Precisamos de um novo vetor, um que repense o sistema educacional de forma estratégica para restaurar seu valor fundamental.

A Crise da Carreira Docente

O primeiro e mais urgente ponto a ser explorado é a gestão da carreira do professor. Hoje, a classe é marcada pela discrepância e falta de reconhecimento. Por exemplo:

  • Em algumas regiões são funcionários públicos, em outros são trabalhadores CLT.
  • Em escolas particulares de elite recebem salários astronômicos, enquanto em escolas periféricas lidam com salários defasados.
  • Pessoas diferentes atuam na mesma função, mesmo possuindo formações e experiencias profissionais distintas.
  • Dificuldades em manter um sistema de formação contuinuada, a fim de evitar uma defasagem dos profissionais

Essa disparidade é fruto de um modelo de gestão fragmentado, que delega a administração a esferas privadas ou regionais, criando um descompasso entre as “bolhas” de ensino. É um cenário onde a situação de muitos que trabalham “por amor” é explorada, e os professores, sem tabelas de cargos claras para comparação com o mercado, ficam vulneráveis e sem mecanismos para negociar seu real valor.

  1. A Confusão de Propósito
    Um segundo problema é a confusão gerada pelo próprio termo ‘educação’. O uso da palavra em expressões sociais (como “mal-educado” para quem não tem boas maneiras) se confunde com a falta de competência técnica (como “não saber escrever um relatório”).

A educação escolar frequentemente recebe a responsabilidade de executar atividades que não são originalmente suas, sobrecarregando o sistema e, consequentemente, diminuindo sua qualidade. Ao fazer isso, ela acaba escondendo outros problemas sistêmicos ou sociais. Enquanto uma família desestruturada ou um aluno desinteressado é tão prejudicial quanto um professor mal formado, no final, apenas os professores são cobrados quando o resultado final é insatisfatório.

  1. A Carência de Ferramentas e Suporte
    Por último, mas não menos importante, está a necessidade de equipar o professor com as ferramentas adequadas. Isso inclui não apenas a disponibilidade de recursos tecnológicos e técnicas de aprendizado atualizadas, mas, crucialmente, o apoio de parceiros educacionais essenciais, como pedagogos e psicólogos.

É evidente que o verdadeiro crescimento de um país depende de um melhor controle e foco sobre os processos educacionais. Precisamos de um novo vetor que transforme a atenção governamental à educação em investimento estratégico e gestão eficiente.

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